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Quando sinto no pescoço um nó, vem o vento e me sopra eu sou pó. B.Brasiliense |
terça-feira, outubro 02, 2012
domingo, setembro 16, 2012
Pantocrator
| Cristo Pantocrator com duas faces, a divina e a humana. Monastério de Sta Catarina, Monte Sinai. |
sexta-feira, setembro 07, 2012
domingo, julho 01, 2012
Um dia virá
terça-feira, maio 08, 2012
segunda-feira, abril 30, 2012
Miragem
segunda-feira, janeiro 16, 2012
Da ausência
Maria Luisa Ribeiro
E impõe se a dor
seus resquícios de gorjeios
e um calhamaço de silêncio
que machuca além da conta.
Estúpida,
com seu chapéu de violetas densas
e um cravo de chorar no vão do peito,
ela vai dançando o canto gregoriano
em um espaço oco
que aprendemos a chamar de saudade
E quando tudo se cala
apenas o pio de um pássaro ancorado em um graveto seco
de uma cobertura no aeroporto da cidade.
Calou-se o brado de Espanha...
e cá do meu batente de anjo caído e torto
eu olho pra cima e te contemplo.
Sóbria , sem desespero e sem dores miúdas
um pássaro... um pio... e... junto –me a ti
num canto de Bocelli no quintal da lua.
sexta-feira, dezembro 02, 2011
Da presença
domingo, novembro 27, 2011
"A Nave Fantasma"
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| Yoko e Lennon - créditos
Como termina um amor? - O quê? Termina? Em suma ninguém - exceto os outros - sabe disso; uma espécie de inocência mascara o fim dessa coisa concebida, afirmada, vivida como se fosse eterna. O que quer que se torne objeto amado, quer ele desapareça ou passe à região da amizade, de qualquer maneira, eu não o vejo nem mesmo se dissipar: o amor que termina se afasta para um outro mundo como uma nave espacial que deixa de piscar: o ser amado ressoava como um clamor, de repente, ei-lo sem brilho (o outro nunca desaparece como se esperava). Esse fenômeno resulta de uma imposição do discurso amoroso: eu mesmo (sujeito enamorado) não posso construir até o fim minha história de amor: sou o poeta (recitante) apenas do começo; o final dessa história, assim como minha própria morte, pertence aos outros; eles que escrevam o romance, narrativa exterior, mítica. (Roland Barthes. Fragmentos de um Discurso Amoroso).
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segunda-feira, novembro 21, 2011
Vivo em Goi
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| Leonardo Lobo |
quente
domingo, novembro 20, 2011
A Sagração
segunda-feira, outubro 24, 2011
quinta-feira, outubro 13, 2011
Supernovas
sou uma mulher que pulsa
quinta-feira, outubro 06, 2011
domingo, outubro 02, 2011
Psicopompo
domingo, setembro 04, 2011
Suave Coniunctio (ou Setembro)
sábado, setembro 03, 2011
Forum
quinta-feira, junho 16, 2011
terça-feira, maio 24, 2011
Amores Captativos

É impressionante como ao ler um mesmo texto, temos diferentes concepções de seu significado conforme o tempo em que o lemos. (Re)li, como se fosse a primeira vez, a análise do arquétipo de Judas no livro do Jean-Yves Leloup*. O autor discute nossas relações uns com os outros, em especial, quando estamos em idolatria, que é semelhante à paixão: quando pedimos o absoluto a um ser relativo. Quando este ser nos decepciona, entramos, naturalmente, no desespero. E ele segue com análises importantes. Conta-nos como Judas não consegue se colocar no meio na relação com o Mestre. Segundo o autor, precisamos aprender a tocar o outro no meio, entre sua dimensão humana e divina. Judas queria um líder político e não um homem que salvasse a poucos e se prestasse às calúnias e à morte. É por essa decepção que passa facilmente da idolatria ao desprezo. Ele esperava demais, com ilimitadas expectativas, e, paradoxalmente, com uma limitada visão das coisas. E é essa atitude que o faz vender e trair o Mestre. Depois do ato, Judas se enclausura na própria culpa e se envenena. Diferente de Pedro, que erra e se redime, pois é capaz da prática do perdão com o outro e, portanto, consigo próprio. Com a atitude típica de um suicida, Judas não crê no perdão e isso se volta contra ele. Ele era assim e por esse motivo, útil ao serviço da traição. Leloup nos lembra que a palavra doença, em hebraico, significa andar em círculos, estar preso em um círculo, estar fechado na conseqüência dos seus atos e do seu carma. Leloup nos recorda a incapacidade de perdoar, o excesso de expectativas e a avareza destes homens que, não souberam compreender Madalena, o arquétipo contrário a Judas. A que lavou os pés de Jesus com caros perfumes e foi por isso repreendida (seria mais útil “dar o dinheiro aos pobres”). Homens como Judas, que se prestaram ao serviço da traição, não souberam ver a generosidade de Madalena, a grandeza de seu abnegado gesto, que dava mais do que o que possuía, além de oferecer de si própria. Madalena é o arquétipo da generosidade e da entrega, incapaz de se realizar em homens presos nos sintomas de seu desespero, na ilusão e avareza das aparências, na idolatria que não concebe o respeito, o amor como algo que se coloca entre o humano e o divino. No arquétipo de Judas há alguma coisa deste estado de consciência que nos envenena, que envenena a existência. Como conclui o autor: em Madalena, vemos o arquétipo do amor oblativo e em Judas, o do amor captativo, tão bem expresso em Giotto na cena do beijo. Um gesto que tem a aparência de amor, mas é um gesto vazio.
Tai, agora entendi.
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*Leloup, Jean-Yves. Caminhos de Realização. Dos Medos do Eu ao Mergulho no Ser. Ed. Vozes.









