quarta-feira, julho 13, 2005

Falta de Assunto

Li um pouco o filósofo Paul Ricoeur nestes últimos meses. Encantou-me a importância que dá ao passado. O que não existe a não ser na reconfiguração do presente. Como historiadora, tenho uma nobre missão: recriar o tempo e dar-lhe significados com um discurso de autoridade. Ok. O passado está em nós e é importante. Mas o futuro também está. Somos, da mesma maneira, aquilo que esperamos dos dias que se seguirão. E sob esta perspectiva, os videntes são tão importantes quanto os historiadores. (Re)significam nosso futuro. Tempo que, como o passado, também não existe. Paul Ricoeur fala do tempo fenomenológico: o eterno presente, onde tudo acontece e é efetivamente definido. Assim, todo mundo devia ler Paul Ricoeur. Para viver e relacionar-se com as pessoas no aqui e agora, quando os milagres cotidianos acontecem e nem são percebidos. Passado e futuro absolutos são grandes e pesados grilhões. Impedem-nos de observar a beleza do caminho. Deveríamos viver como se fossemos doentes terminais: valorizando cada segundo, com um passado e um futuro displicentes, não determinantes. E os que nos amam deveriam se relacionar conosco assim, também: aceitando-nos, com a história pregressa que nos construiu e nosso futuro incerto. Não o condeno ao passado que aqui te trouxe e nem o considero uma pessoa-investimento. Encontro-o na eternidade deste instante. Acho que seríamos mais felizes se assim pensássemos.

segunda-feira, julho 11, 2005

Sonho

Viajo na noite fria
de um túnel de pedra.
Uma quietude mórbida
e sufocante dorme
sob a pirâmide.
Na trilha subterrânea
conto os passos
em que piso no chão de vidro.
Na terra vejo corpos
que se contorcem nus
e nadam na lama.
Seguro uma criança
e salto por entre pedras móveis.
Eu a protejo e sinto-me acompanhada.
Desvio-me de paredes úmidas.

Caminho cega em direção à luz.

(Desperto-me antes de alcançar a saída)

sexta-feira, julho 08, 2005

Respire, as ondas vêm e vão.

Ouço sempre a frase do título quando estou ansiosa. Minha filha costuma dizê-la, ao mesmo tempo em que me endireita a coluna. De fato, penso que a grande solução da vida é respirar. Permitir que o fluxo entre e saia sem obstáculos, o que não é nada fácil. Pude compreender melhor o poder da atitude quando me submeti a uma seção de respiração holotrópica. Era uma loucura proposta pelo meu terapeuta transpessoal. A sensação é a mesma no caso do uso de LSD. Ele me explicava, piorando as coisas, visto que nunca usei drogas de nenhuma espécie. As mãos podem se enrolar. Eu arregalava os olhos. Os pés também. Você pode ter visões. Misericórida. Eu já havia desistido, quando ele me apresentou a solução mágica para resolver qualquer efeito colateral da atividade: respire. Simplesmente continue respirando. E lá fui eu, acompanhada por alguém que não conhecia (pois precisamos ser cuidados por outra pessoa durante o ato), um garoto adolescente que parecia muito mais corajoso do que eu. Tadinho. Ele teve que se levantar inúmeras vezes para me levar ao banheiro. Minha seção de respiração holotrópica transformou-se numa vontade ininterrupta de fazer xixi sobre o mundo. Meu terapeuta disse que foi uma profunda limpeza. Achei melhor acreditar. E, é claro, fiz várias outras seções até perder totalmente o medo e experimentar um contato mais íntimo comigo mesma. Acho que foi útil como estratégia de auto-conhecimento. Além de me ensinar o princípio básico da respiração. Ansioso? Respire. Triste? Respire. Nervoso? Respire. E por aí vai. Sigo assim, todos os dias, até não sei quando, tentando manter o ritmo da respiração. Como as ondas, que, inexoravelmente, vêm e vão.
Como no poema do Luís.
As ondas vêm e vão

inspiro.
atento à sensação
produzida nas narinas
pelo ar que entra.
expiro,
atento à sensação
produzida nas narinas
pelo ar que sai.
inspiro.
a partir do ventre,
a centímetros do umbigo,
o tórax enche.
expiro.
a partir do ventre,
centímetros abaixo do umbigo,
o tórax esvazia-se.
inspiro, expiro.
respiro.
deixo-me respirar,
nada mais.
Mas, de repente, forço-me a respirar,
e inspiro e expiro com aparato,
descontrolado,
o equilíbrio perdido.
recordo-me então
que as ondas vêm e vão,
e deixo-me ir, deixo-me ir.
inspiro, expiro.
respiro.
deixo-me respirar.
não estou ansioso, nem calmo,
nem triste, nem feliz.
respiro, nada mais.
e as ondas vêm e vão.
(Luís Ene)
Obrigada, querido. Adorei.

sexta-feira, junho 17, 2005

A Via de Chuang Tzu

Refugio-me na leitura de Chuang Tzu, em sua sabedoria do século II a.C., quando estou desanimada com tantos problemas:

A Metamorfose

Quatro homens entraram em discussão.
Cada qual falou:
"Quem souber ter o vazio como cabeça,
A vida como espinha dorsal
E a morte como cauda,
Este será meu amigo!"

Nisto todos se entreolharam,
viram que concordaram,
Riram alto
E ficaram amigos.

Depois um caiu doente
E o outro foi visitá-lo.
"Grande é o criador", dizia o doente,
"Que me fez como sou!
(...)
meu corpo é o caos,
mas minha mente está em ordem".

Seu amigo perguntou-lhe:
"Você está desanimado?"

"Qual nada! Por que haveria de estar?
Se Ele me separa e faz um galo
No meu ombro esquerdo,
Eu anunciarei a madrugada.
Se Ele fizer um arco
Do meu ombro direito
Procurarei um pato assado.
Se meu assento se transformar em rodas
E se meu espírito vier a ser um cavalo
Prepararei minha própria carroça
E andarei por aí."

Há um tempo de juntar
E um tempo de separar.
Aquele que entender
Este curso dos acontecimentos
Toma cada novo estado
Em sua devida hora.

Sem nenhuma tristeza nem alegria.
(...)
A natureza é mais forte do que todas as cordas e elos.
Sempre foi assim.
Onde está uma razão
Para desanimar?


Quando estou com vontade de "matar alguém", leio este:

O Galo de Briga

Chi Hsing Tzu era treinador de galos de briga
Para o Rei Hsuan.
Estava treinando uma bela ave.
Sempre perguntava o Rei se a ave
Estava pronta para a briga.
"Ainda não", dizia o treinador.
"Ele é fogoso. É pronto para atiçar briga
Com qualquer ave. É vaidoso e confiante
Na sua própria força".

Depois de dez dias, respondeu novamente:
"Ainda não. Eriça-se todo
Quando ouve outra ave grasnar."
Depois de mais dez dias:
"Ainda não. Ainda está
Com aquele ar irado,
E eriça as pernas."

Depois de dez dias
Disse o treinador:
"Agora ele está pronto.
Quando outra ave grasna,
Seu olho nem pisca.
Fica imóvel
Como um galo de madeira.
É um brigador amadurecido.
Outras aves olharão para ele de relance
E fugirão."


E, por fim, leio este outro quando acho que as coisas estão insuportáveis e começo ansiosamente a estabelecer prazos para o fim do meu suplício:

A Necessidade da Vitória

Quando um arqueiro atira sem alvo nem mira
Estará com toda a sua habilidade.
Se atira para ganhar uma fivela de metal
Já fica nervoso.
Se atira por um prêmio em ouro
Fica cego
Ou vê dois alvos-
Está louco!

Sua habilidade não mudou.
Mas o prêmio cria nele divisões.
Preocupa-se.
Pensa mais em ganhar
Do que em atirar-
E a necessidade de vencer
Esgota-lhe a força.

quinta-feira, junho 09, 2005

Felizes Demais

Aprendo muitas coisas com minha filha MC no alto de seus treze anos. Com uma índole identificada com a personalidade gótico-metal (felizmente mais nightwish do que iron maiden) ela despreza pessoas "felizes". Faço-lhe a pergunta óbvia-idiota, no seu estilo comunicacional: - Ow, tipo, ser feliz não é bom?. Ela me explica fazendo caras e bocas e traduzo assim, o que consigo compreender: ser "feliz", é ser deslumbrado. Para as "pessoas felizes" tudo é lindo, cor de rosa, maravilhoso. "Pessoas felizes" tendem a uma visão superficial da vida e por esse motivo, tornam-se desprezíveis.

quinta-feira, junho 02, 2005

Constatação

Li hoje, com atenção:

Não sou substituível para quem me ama. Sou substituível para quem me usa.

quarta-feira, junho 01, 2005

Nino

A esta hora Nino deve estar na mesa de cirurgia para uma orquiectomia. Tomará anestesia geral. O fato de estar aborrecida com ele depois que fez xixi no meu livro do Kundera (o dos amores que se tornaram não só risíveis, mas malcheirosos e impossíveis), não significa que não lhe desejo todo o bem do mundo. Ele anda desanimado, com um problema resistente de pele e, a partir de hoje, se tornará definitivamente estéril. Que o deus dos gatos possa me perdoar por minha parcela de culpa nisso tudo. Respire, Heloisa, respire.

terça-feira, maio 31, 2005

Estou Apaixonada

Por Walter Salles. É verdade. Assisti a um programa (Arte com Sérgio Brito), em que o diretor foi convidado a contar sua trajetória profissional. Isso foi feito com maestria pelo entrevistador e, a partir dele, pude saber que Walter Salles começou sua vida artística como fotógrafo. Depois, aventurou-se nos perfis e documentários, para só então, criar e dirigir em cinema de ficção. Está muito magrinho (terei que dar um jeito nisso), mas contou, com detalhes, os perfis e documentários que mais lhe agradaram fazer. Dessa maneira, pude compreender não só aqueles olhos, que sabem chorar e sorrir ao mesmo tempo, mas o seu olhar sobre as coisas. E ele fala com os olhos, já prestaram atenção? Começou contando do perfil de Jorge Luis Borges que realizou há algum tempo. Impressionou-o Borges ser herdeiro de cinco gerações de homens cegos, alguém que ao perder gradativamente a visão, conseguiu ver o mundo de uma maneira tão poética e imaginativa. Foram mostrados trechos dessa entrevista, realizada dois anos antes da morte do escritor. Emocionante. Ele também nos falou de Nick Lauda (escreve assim? ah, sei lá), aquele corredor de fórmula 1 que quase morreu em um acidente, lembram? Pois é, Nick Lauda narrou com detalhes como lutou por três dias para sobreviver. Especialmente depois que recebeu a extrema – unção de um "padre", que mal lhe dirigiu a palavra. Embirrou depois daí e resolveu que não ia morrer, naquela hora não. De fato, sobreviveu milagrosamente para contar a história. Depois disso, Walter Salles começou a falar dos documentários. Um que me fez chorar, foi o que contava a vida de (peraí, esse cara eu preciso escrever o nome direito, um segundo)...voltei: Frank Krajcberg, o poeta dos vestígios. O cara é polonês e depois de viver todos os horrores da Segunda Guerra (sua mãe foi brutalmente assassinada, esteve em campos de batalha, sentiu na pele os absurdos do stalinismo) e passar fome na França, desacreditou na espécie humana (e tem gente que acredita na espécie humana, humpft). Veio para o Brasil e passou a criar esculturas de material destruído da natureza. Ouví-lo contar como a natureza o resgatou é algo que salta os olhos. Putz. Houve um momento, depois de fugir da presença humana refugiando-se nas matas, em que tinha vontade de dançar com as árvores! Walter Salles (será que estou escrevendo certo o seu nome? não importa tá tão chique assim com W e dois eles...) revela que esse contato deu a tônica dos seus personagens de ficção: indivíduos que estavam mal interiormente, mas que olharam no retrovisor e resolveram se recriar, reinventar a própria vida. Krajcberg recebeu carta de uma presidiária e mostrou ao Salles. Este ato deu-lhe a idéia chave de Central do Brasil. Quantas cartas não chegam ao seu destino, afinal? Refletiu com Sérgio Brito. Concluiu que o cinema é uma carta, que também é endereçada e que assume os riscos da viagem até o destinatário. O programa acabou aí (snif), mas continua sei lá em que dia e em que horário (se alguém descobrir, por favor, informe). No próximo, ele vai contar dos filmes: Abril Despedaçado (maravilhoso), Diários da Motocicleta (que não vi ainda, que vergonha...) e de todos os outros. Será que ele vai falar se é casado? Opção sexual? O que pensa fazer nos próximos anos? Telefone para contato? ...............?................? ...................?....................?

Acho que preciso ver mais TV.

segunda-feira, maio 30, 2005

Márcia Sacerdote

Maria Clara e eu estávamos rindo de nossa empregada. Em três meses de trabalho ela já conseguiu muitas coisas: quebrou a máquina de lavar roupa, desmontou definitivamente o porta papel higiênico do banheiro, estragou a torneira da cozinha, inutilizou o purificador de água e o fogão de seis bocas, só funciona com duas. Queimou três roupas no ferro de passar, quebrou a coroa da escultura de N.Sra. da Assunção e alguns objetos decorativos. Os pratos de cerâmica cinza estão todos pintados de lasca branca e não há mais um conjunto inteiro de copos. MC fica indignada:

Mãe, você deve brigar com ela!!!!
Já lhe pedi para tomar cuidado, MC.
Exija que ela desligue aquele rádio na estação da Igreja Universal.
Deixa pra lá, filha. É só fechar a porta da cozinha.
Qualquer dia vamos chegar aqui e ela vai ter colocado fogo em tudo.
Não seja intolerante. Vejamos pelo lado bom, ela tem virtudes.
É, justiça seja feita: ela cozinha bem...e
(pensa)
Cozinha bem
(pensa mais um pouco)
Ela cozinha bem...
M. pra sua cozinha. Se ela estragar algum dos meus discos de metal, juro que vou fazer ela engolir aquele rádio. Ela vai ser obrigada a ouvir trash metal o dia todo, prometo.
Acho que prefiro as músicas da Igreja Universal.
Então tome uma atitude.
Calma, filha....as ondas vêm e vão. Respire...

domingo, maio 29, 2005

Redenção

Tomou-lhe a graciosa criança dos braços. E foi como um instante de redenção. Segurar o filho do novo casamento dele tinha algo de recomeço. Num segundo, cenas animaram-se com profusão de sentimentos: o namoro, o casamento naquele templo egípcio, os gestos cotidianos únicos, o cheiro, a agressividade, a dureza de suas mãos e de seu abraço, o sentimento de incompletude e insuficiência inúteis a qualquer esforço, as dores da separação. Teria sido perdoada, enfim? Devolveu-lhe a criança agitada em seu colo e conseguiu sorrir, com genuína alegria.

quarta-feira, maio 25, 2005

Mudança

Já que não dá para alterar o resto, mudei o template. Os comentários? Hum, ficaram guardados no meu coração.

terça-feira, maio 24, 2005

Sentido

Dizem que o que todos procuramos é um sentido para a vida. Não penso que seja assim. Penso que o que estamos procurando é uma experiência de estar vivos, de modo que nossas experiências de vida, no plano puramente físico, tenham ressonância no interior do nosso ser e da nossa realidade mais íntima, de modo que realmente sintamos o enlevo de estar vivos.

(Joseph Campbell)

sexta-feira, maio 20, 2005

Fênix



Acho que há dois anos, mais intensamente no último, que não passo dois dias sem ver um carro de funerária. Na última semana, algumas vezes por mais de uma vez no mesmo dia, uma van branca, com uma bela imagem azul de ave, onde se pode ler: fênix.

Memórias




Quando tinha 8, 9 anos morava numa casa com jardim num bairro popular da cidade. Dormia num quarto com minha avó. Ainda posso vê-la sentada fazendo crochê ou rezando um terço (ela se vangloriava de rezar três terços por dia). Era uma mulher altiva e inteligente.

Lembro-me bem dos seus pés: sempre muito limpos e perfumados. Eu os sentia quando, assombrada por terrores noturnos, pulava para a sua cama nas madrugadas. Dormi abraçada a eles em muitas noites (ela nunca me negou um canto e isso sempre me surpreendeu). À essa época, já repetia a mesma história com o descontrole da memória afetada pela arteriosclerose: foi traída pela irmã e casou-se com um homem que não amava.

Guardava uma mala de fotos antigas roubada por um gatuno que pudemos ver, em vulto, pela janela. Tinha um baú com um prego saliente que me rasgou o joelho numa outra vez. Depois de muitos anos, quando eu já era adulta e a encontrava, sem me reconhecer, ela sorria e dizia: - Filha, você é tão boa...

Quando morreu, duas cenas tornaram-se, também, inesquecíveis: as escaras de suas costas sendo limpas, com carinho, pela minha mãe e minha tia e, por último, os seus pés, amarelos, pendurados no lençol através do qual um homem desconhecido carregava, sem cuidado, o seu corpo sem vida.

terça-feira, maio 17, 2005

Instante



Debruçada na sacada do quarto, esperava-o com certa ansiedade. Vigiava os carros e pedestres adivinhando neles sua aproximação. Lá dentro, tudo pronto: frutas e castanhas no balcão da cozinha, duas taças, um vinho na geladeira, jogo de luzes e sombras. Como seria? Não gostava de imaginar. Não atendeu aos seus telefonemas durante o dia, menos o primeiro: o que confirmava o recebimento das flores pela manhã, com um convite: Janta comigo hoje? Indicava o local e a hora. Foram dois anos de assédio cuidadoso e paciente. Sim, admirava-lhe a persistência, refletia enquanto olhava-se no espelho minutos antes. Preparou-se com esmero: um banho de imersão com ervas aromáticas, lingerie nova, vestido de tecido leve com alguma transparência. A despeito de todas as intenções expressas em gestos e olhares, nunca haviam se tocado. Como seria? Não queria imaginar. Sabia que o sonho matava o instante. Ouviu a campainha e correu para a porta. Era ele. Não conseguira vê-lo pela sacada, mas observou com agrado que estava perfumado e com os cabelos úmidos. Cumprimentaram-se cordialmente com certo constrangimento. Numa fração de segundo, uma sensação perturbadora: viu-se como professora nos olhos dele. O quanto havia lhe ensinado? O que seriam agora? Fizeram comentários banais sobre o ambiente antes que ele se colocasse ao seu lado para dizer que estava tudo bem. Antes que a tocasse levemente com a mão e, num lance de surpreendente fúria, a tomasse pela cintura e a beijasse sofregamente. Dois anos por este dia. Fizeram o amor do desejo e da espera. Lavaram os pratos juntos, mantiveram-se abraçados frente à sacada que revelava a noite clara sobre prédios altos. Conversaram amenidades próprias aos momentos sem promessas. E nunca mais se encontraram novamente.

domingo, maio 08, 2005

A elas, o meu amor

Para minha mãe e minha filha que hoje faz aniversário, todo o meu amor.

sexta-feira, maio 06, 2005

Olhem só!

Tão lindinho!

Essencialidades



Experimento a sensação de liberdade ao aprender uma difícil lição: posso perfeitamente viver sem muitas coisas, focada no essencial.

quarta-feira, maio 04, 2005

Amizade



Quando adolescentes ouvimos certos chavões sobre a amizade. Concordamos sem saber, de fato, o que significa. Até estarmos num buraco escuro e vislumbrarmos uma mão amiga. Sim, amigos, os de verdade, são seres especiais. Mais que irmãos, às vezes. São preciosidades, dádivas divinas, devidamente colocadas em nossas vidas para nos ajudar. Tenho uma amiga assim. Uma pessoa que está comigo quando o último vai embora e apaga a luz (aconteceu várias vezes). Que me faz rir quando só tenho vontade de chorar. Que preenche os meus dias com leves e saborosas abobrinhas (literalmente) e coisas completamente banais nos momentos em que a vida está amarga, pesada e séria. Quando não quero pensar, ela está sempre lá, ocupando-me o tempo com pequenas coisas do dia a dia: reclamando dos namorados (sempre mais jovens e diáfanos do que ela), fazendo comida, contando piadas sem-graça (é muito difícil me fazer rir), dizendo coisas absolutamente sem importância. Ela é quase dez anos mais velha que eu, mas parece o contrário. Outro dia, entramos num teatro e eu a abracei. Ela observou: - Vão pensar que somos algum "caso". Respondi, rindo, que não me importava nem um pouco. No que ela emendou: - Você seria muito velha para mim.
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Nisso já se vão mais de vinte anos. Não! Deletem este parágrafo. Eu não conseguiria expressar o valor desta amizade nem em longos dez mil posts.

sábado, abril 30, 2005

Desafetos



Outro dia disse à Maria Clara que minha mãe não me ensinou coisas que julgo necessário saber. Uma importante: não precisamos ser adorados por todos. Seremos sim, se adotarmos a detestável atitude mosca morta: a das pessoas sem opinião ou qualquer tipo de iniciativa, insetos pousados sem vida em coisas e pessoas nem sempre agradáveis. Esta posição, aparentemente as salva de críticas e de desafetos, afinal, elas sobrevivem nesse estilo de morte-vida. Até que alguém lhes dá uma boa e merecida dose de inseticida e elas caem sem a força vital que desperdiçaram. Viver significa agir. E saiba, haverá opositores. E nem é preciso que a ação seja "boa". Basta que ela exista para que incomode, abale estruturas e esteja numa vitrine sujeita a pedradas. Então, o que fazer nessa hora, mãe? MC pergunta. Continue o caminho, se nele houver coerência e convicção, respondo. Quanto aos que gritam? Bah, dê de ombros e siga em frente. Você se sentirá viva e livre.